"Por 12 meses, o analista de TI Vinicius Alves de Medeiros, 28, deixou
seu Honda City de lado: sua CNH (carteira nacional de habilitação) foi
suspensa. Ele diz que nunca havia sido multado até ser pego em uma blitz
da Lei Seca, na zona oeste de São Paulo.
Ao ser flagrado dirigindo alcoolizado, Medeiros juntou-se aos 423 mil
motoristas que perderam o direito de dirigir no ano passado.
"O número de suspensões aumentou 13% na comparação de 2016 com 2015, e a
explicação mais provável para isso é o aumento da fiscalização por
todos os órgãos de trânsito", afirma o diretor-presidente do Detran-SP,
Maxwell Vieira.
A suspensão ocorre quando o motorista soma ou extrapola 20 pontos na CNH
em um período de 12 meses, ou comete uma única infração como dirigir
embriagado, ou ultrapassar em 50% a velocidade máxima permitida.
A notificação vem por carta. Após recebê-la,o condutor tem até 30 dias para apresentar defesa. Se o pedido for indeferido, são mais 30 dias para recorrer à Jari (Junta Administrativa de Recursos de Infrações) ou ao Centran (Conselho Estadual de Trânsito).
A notificação vem por carta. Após recebê-la,o condutor tem até 30 dias para apresentar defesa. Se o pedido for indeferido, são mais 30 dias para recorrer à Jari (Junta Administrativa de Recursos de Infrações) ou ao Centran (Conselho Estadual de Trânsito).
Por ser flagrado dirigindo após beber, Medeiros passou por um processo
administrativo e pagou multa de R$ 1.915 à época -atualmente, o valor é
de R$ 2.934,70. Ele entregou sua carta ao Detran-SP e cumpriu a
penalidade. Depois de os 12 meses distante do volante, recebeu sua
habilitação de volta em janeiro.
"Tinha bebido dois copos de cerveja naquela noite, mas acredito que
tirei proveito do problema. Comecei a fazer caminhadas, peguei
resistência e comecei a correr", diz Medeiros, que já concluiu uma
meia-maratona.
O aposentado Edison Barsanti, 77, também acaba de recuperar sua CNH. É a terceira vez que ele tem o documento suspenso por multas acumuladas -todas por excesso de velocidade, afirma.
O aposentado Edison Barsanti, 77, também acaba de recuperar sua CNH. É a terceira vez que ele tem o documento suspenso por multas acumuladas -todas por excesso de velocidade, afirma.
Ele diz que circula com muita frequência por rodovias e nem sempre se
lembra de reduzir a velocidade ao passar por um trecho urbano, com
limites mais baixos.
"Pago por minha desatenção, tenho de me condicionar ao trânsito. Talvez a
solução seja usar um GPS com aviso sonoro", diz Barsanti, que deixou de
guiar por seis meses na última suspensão.
Todo motorista que tem a habilitação suspensa ou cassada é obrigado a
entregar o documento ao Detran. Além de cumprir o afastamento, ele
precisa fazer um curso de reciclagem, com carga de 30 horas. "É um
processo educacional, que visa levar o motorista a rever seus
conhecimentos e mudar a postura no trânsito", afirma Vieira.
As aulas podem ser feitas nas autoescolas na modalidade a distância ou
presencial. Há noções de legislação de trânsito, direção defensiva,
primeiros socorros e relacionamento interpessoal.
Na capital, os preços do curso de reciclagem variam de R$ 200 a R$ 300.
Medeiros diz que o processo é simples. Ele ligou para um Centro de
Formação de Condutores e fez a opção online, mas a prova foi presencial.
Depois de aprovado, retirou o certificado e o levou ao Detran no dia
agendado para recuperar a carteira.
Se ao término da suspensão a carta estiver fora da validade, o motorista
terá de pagar as tarifas da renovação: R$ 82,73 pelo exame médico e R$
41,37 da taxa de emissão cobrada no Detran-SP.
Se um condutor que está com a carteira suspensa for flagrado dirigindo,
ele terá a habilitação cassada por dois anos. Após esse prazo, é
possível solicitar uma nova.
Além do curso de reciclagem, esse motorista tem de fazer exames médico e
psicotécnico e também provas teórica e prática. Os custos ficam em
cerca de R$ 250."
FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/sobretudo/rodas/2017/05/1881577-reaver-habilitacao-suspensa-demanda-curso-prova-e-meses-longe-do-volante.shtml
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